O politicamente correto na Literatura Infantil

 Bonitos e Bonitas,
Uma das grandes discussões em Literatura Infanto Juvenil , hoje, é a questão do politicamente correto. E sobre esse assunto, meu amigo Ilan Brenamn, fez um tratado de Doutorado. Se você se interessa por essa discussão poderá participar da Oficina que Ilan realizará no SESC BELENZINHO no dia 15 de Março ( Mais informações no final da reportagem). Abaixo, deixo vocês com uma  entrevista que ele deu sobre o assunto à Revista Época.

Quando o escritor e educador Ilan Brenman ouviu a adaptada cantiga “não atirei o pau no gato…”, ele se enfezou. Preocupado com a imposição do politicamente correto nas músicas e histórias infantis, aprofundou-se no assunto para fazer justamente o contrário: ele acabou de apresentar sua tese de doutorado na Universidade de São Paulo sugerindo que o uso de temáticas politicamente corretas não só é incapaz de incutir essas atitudes na criança como também retira uma das principais válvulas de escape dos medos e frustrações infantis. “Eu nunca matei um animal por cantar ‘atirei o pau no gato'”, afirma.

Para Brenman, que já escreveu mais de 20 livros infanto-juvenis, ao lidar com situações de conflito – morte, raiva, ciúmes, medo -, a criança está criando ferramentas para trabalhar com as dificuldades da vida. “Elas escutam as histórias de forma diferente dos adultos. O obstáculo e o conflito representados nos livros são o reflexo das dúvidas que a criança possui dentro dela”, diz o pesquisador. Ele argumenta que, se forem retirados os espaços para a criança lidar com seus sentimentos negativos, elas não terão como aprender a enfrentar as dificuldades e a violência pode explodir na vida real.

Na literatura infantil “do bem”, são suprimidas menções às reações e comportamento negativos do homem. São histórias positivas, com lições de moral e sem personagens violentos como a bruxa e o bicho-papão. “Um dos exemplos da patrulha do ideologicamente correto pode ser visto na história da Chapeuzinho Vermelho”. Existem livros publicados em que não há mais o lobo mau, ou que a barriga do lobo não é aberta para evitar imagens de violência na cabeça das crianças. “A cena da abertura da barriga do lobo é importante por trazer a idéia do renascimento, da vida que brota de outra vida”, diz o educador.


A grande luta de Brenman parece ser contra a campanha para modificar os hábitos de uma das principais personagens da literatura infantil brasileira: a boneca de pano Emília, criada por Monteiro Lobato nos anos 1920. “Ela é uma menina respondona, atrevida, criativa e saudável”, afirma. As crianças, segundo ele, também não são anjinhos. Elas têm doses de maldade dentro delas, e a boa literatura, com pitadas de conflito e comportamentos dúbios, permite às crianças compreender a oscilação sentimental que sentem e a lidar melhor com as neuroses do mundo.

O educador acredita que os pais não podem terceirizar a transmissão de valores morais para os livros. Esta é uma função que deve ser feita pela família, e qualquer tentativa de ensinar a ser bonzinho por mensagens já prontas em livros não terá efeito. Isso porque a percepção do bom e do mau deve vir pela reflexão. A leitura, diz Brenman, deve provocar a criança com situações de conflito para que ela raciocine sobre o assunto e tire suas conclusões.

A imposição do politicamente correto faz Brenman temer que cuidados excessivos, como a substituição de palavras consideradas ofensivas, façam com que a juventude atual se descole das histórias tradicionais. “Se não fizermos nada, daqui a pouco vamos ter que contar a história do “Afrodescendentezinho do Pastoreio”, e não a do Negrinho do Pastoreio.

 A Oficina ” O politicamente correto na Literatura Infantil” traz elementos para a compreensão dos caminhos da produção da literatura para crianças e jovens no Brasil em meio aos atuais processos sociais e econômicos. Aborda em especial a polêmica tendência de direcionamento da leitura e enquadramento dentro do termo “politicamente correto”.
Público alvo: pais e educadores e interessados em geral. . Oficina 3. Inscrição: mediante retirada de senha com 30 minutos de antecedência, sujeita a lotação do espaço. Grátis.
 Orientação: Ilan Brenman
Data: 15 de março
Horário: 20h
Local: Sesc Belenzinho
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